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As psicoses de 2026

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Nestas últimas semanas aprendi, na pele, duas expressões que eu não conhecia. A primeira é a “psicose política”, que descreve a ansiedade e o excesso de vigilância dos eleitores nas eleições de 2026 aqui no Brasil. Basicamente, é o esgotamento mental causado pelos debates nas redes sociais. O Brasil inteiro passou por isso.

A outra é a “psicose da IA”, a paranoia induzida pelo uso excessivo de IA (e que possivelmente causou a psicose política em muita gente por aqui). Comigo, a psicose da IA apareceu como uma fadiga mental esquisita, desencadeada pelo uso de agentes de IA para programar.

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O Chromium – usado como base para o Chrome, o Edge e outros navegadores – tem milhões de linhas de código fonte. Um dos projetos em que estamos trabalhando na Igalia é a separação semântica desse código em módulos menores. Existem várias vantagens em modularizar o código de projetos gigantes como o Chromium e, como se trata de uma reorganização sem grandes mudanças nas funcionalidades, é um trabalho perfeito para os agentes de IA.

Sem IA, o meu dia mais movimentado tinha sido de 6 mudanças de código integradas no Chromium. Recentemente, com IA, consegui integrar 16 em um dia só.

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O desenvolvimento no Chromium ficou mais produtivo com IA? Sim, quase três vezes mais produtivo que o meu melhor dia sem IA.

Aprendi mais sobre o funcionamento interno do Chromium com IA? Depende. Você meio que entende melhor o panorama geral de alguns conceitos, mas com certeza perde alguns detalhes do código.

A minha cabeça está melhor, mais descansada, mais saudável? De jeito nenhum. Em vez de usar o meu tempo livre para aprender mais ou fazer algo prazeroso, sinto muita ansiedade tentando ser mais produtivo, trabalhando em várias coisas em paralelo e por aí vai.

Por último, mas não menos importante: valeu a pena repostar 50 vídeos por dia no Instagram? Sim!

É um equilíbrio bem complicado, com certeza. Mas as psicoses são reais. Tudo o que eu preciso no próximo mês é apagar as redes sociais, mexer menos com IA e me reconectar com a realidade. Sinto falta de me divertir com as coisas simples e reais.

Ilustração de pessoas dançando e tocando música num cânion no deserto, cercadas por trilhos de trem sinuosos e um pequeno trem.
Ilustração de Hiro Kamigaki e IC4DESIGN, do livro Pierre – O detetive dos labirintos, de Chihiro Maruyama (Ciranda Cultural, 2016).